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Quinta-feira, 24 de junho de 2010

A ciências das pesquisas eleitorais, por Luis nassiff

Divulgada ontem, a pesquisa CNI-Ibope confirma uma tendência já observada em institutos mais ágeis - como os mineiros Instituto Sensus e Vox Populi: a de crescimento sistemático da candidatura Dilma Rousseff. Na pesquisa de ontem, pela primeira vez, no Ibope, Dilma aparece na frente de Serra fora da margem de erro: 40% dos votos contra 35% de Serra e 9% de Marina Silva. No segundo turno, Dilma venceria por 45% a 38%.

Uma das grandes dificuldades na análise das pesquisas - como em qualquer tema complexo - é conseguir identificar a linha principal em meio ao emaranhado de variáveis que constituem o universo.

Os mineiros Instituto Sensus e Vox Populi foram os primeiros a identificar corretamente esse fato-chave, comprovando sua superioridade analítica sobre os outros dois grandes, Ibope e Datafolha.

Perceberam que havia uma ligação quase total do voto em Dilma Rousseff e da percepção do eleitor de que ela era a candidata de Lula. A partir dessa análise, ambos os Institutos puderam bancar desde o começo do ano o favoritismo da candidata. Mesmo quando colocados sob fogo intenso do Globo e da Folha, em nenhum momento relutaram em reafirmar sua opinião - que, agora, revela-se plenamente correta.

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Do lado do Ibope, a nota destoante foi de seu presidente Carlos Augusto Montenegro que, no ano passado, emitiu projeções definitivas sustentando a impossibilidade de vitória de Dilma. Baseava-se em apenas uma eleição similar à atual para tentar determinar um padrão - uma irresponsabilidade analítica que comprometeu o nome do seu instituto.

Do lado do Datafolha, houve uma pesquisa extemporânea que atropelou a tendências de todas as demais pesquisas - que apontavam crescimento sistemático da candidatura Dilma. De repente, a distância que a separava da candidatura Serra deixou de cair, Serra abriu 10 pontos de vantagem - que não se sustentaram duas pesquisas depois.

A explicação é que o fim das enchentes de São Paulo tinham melhorado a percepção de Serra... junto aos eleitores gaúchos - onde o Instituto identificou as maiores mudanças de voto (não confirmadas pelas pesquisas posteriores).

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Pela pesquisa de ontem, três quartos dos eleitores já sabem que Dilma é candidata de Lula. Portanto, ela ainda tem espaço para crescer em um quarto do eleitorado - ou 25%.

De junho de 2009 a junho de 2010, a probabilidade voto em Dilma cresceu de 13% para 35%. Os que não votariam nela de forma alguma caíram de 34% para 23%.

Nesse mesmo período, a probabilidade dos que votariam em Serra passou de 2% para 28%; e os que não votariam de forma alguma passou de 25% para 30%.

Enquanto Serra caí, aumenta o percentual dos que poderiam votar em Marina Silva - de 17% em junho passado para 27% em março e 36% agora.

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Gradativamente vai caindo o peso de Lula na definição de voto: de 53% que, em março, votariam no seu candidato, para 48% agora, ainda um patamar bastante elevado. Mas os que não votariam de forma alguma no seu candidato permaneceram em 10%.

Luis Nassifjornalista