Os servidores da Saúde estão em estado de greve em São Paulo. A categoria denuncia as terceirizações no sistema público de saúde e o sucateamento do SUS no Estado, que ameaçam inclusive o combate à dengue, que já é uma epidemia no Guarujá.
Em meio à política privatista de José Serra, a população paulista foi informada sobre o avanço da dengue na Baixada Santista na última sexta-feira, 12 de março, quando a Prefeitura de Guarujá admitiu a epidemia, apenas um dia depois de o risco ter sido afastado pelo secretário-adjunto da Saúde Estadual, Nilson Ferraz Páscoa, em visita à cidade.
"O secretário adjunto não admitiu sequer a existência de surto", espanta-se Fausto Figueira, que é presidente da Comissão de Saúde e Higiene da Assembleia. "Os jornais estão mostrando diariamente multidões esperando até 8 horas por um atendimento nos pronto-socorros da Baixada. Os médicos não conseguem dar vazão, as notificações não estão sendo feitas, até porque cada uma demora 20 minutos e atrasaria ainda mais a assistência", denuncia o deputado petista.
O perigo das OSs
A Bancada do PT na Assembleia Legislativa e os representantes dos trabalhadores do setor denunciam o sucateamento da saúde no Estado e a parceria com instituições privadas já há alguns anos e, especialmente, durante a gestão Serra, que adotou as chamadas Organizações Sociais.
Um dos exemplos mais citados do perigo da privatização é o caso dos laboratórios do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, cujo processo de terceirização integral foi suspenso antes da pandemia de gripe suína.
O SindSaúde cita o caso no Dossiê da Terceirização dos Laboratórios, lançado em 2007, e considera que "o sistema privado de saúde não estava preparado para enfrentar a pandemia, que foi centralizada nos profissionais que já estavam na rede pública. Se houvesse terceirização, eles poderiam ter sido transferidos ou estar ‘encostados' em outros setores.''.
Os funcionários da rede estadual de Saúde também criticam a chamada meritocracia, que reserva bônus e reajustes para os supostamente melhor avaliados. "Afinal, como estabelecer produtividade em condições precárias de trabalho?", questionam os profissionais do setor.
"Embora tenha sido ministro da Saúde, Serra nada entende do Sistema Único de Saúde Pública. Ele desqualificou os funcionários e colocou um pessoal destreinado nos serviços quando adotou as OSs. A privatização feita em São Paulo não é sequer fiscalizada", denuncia o presidente do SindSaude, Benedito Augusto, o Benão.
Os Conselhos Nacional e Estadual de Saúde e os participantes das Conferências de Saúde já se posicionaram contra o modelo de OSs ou terceirização, mas o governo não acatou a recomendação destas instâncias.
Reivindicações
O melhor atendimento aos usuários do Sistema Único foi uma das reivindicações da mais recente passeata realizada pelo SindSaúde no dia 05 de março. Os trabalhadores do setor protestam contra as terceirizações, as más condições de trabalho, a falta de pessoal, os baixos salários e o congelamento e a ameaça de corte do adicional de insalubridade.
A greve na Saúde deve ser definida nesta sexta-feira (19/03), em nova assembleia da categoria.