Quem convive há 15 anos com o PSDB no governo paulista, sabe muito bem o caos que é. Sentimos na pele o descaso e os maus tratos.
Mesmo assim, José Serra sai ileso e nós, servidores, somos os culpados por todos os problemas. Ancorado pela grande mídia e usando redes sociais em profusão, ele consegue vender a ideia de um governo sério e realizador.
Pura ilusão. Serra faz reverência com o chapéu alheio e proselitismo eleitoral, ao aumentar o salário mínimo estadual em índices e valores maiores que o mínimo nacional e se esquece dos seus servidores. Não faz, portanto, a lição de casa. Oras... se ele quer aumentar os salários dos funcionários da iniciativa privada, que não saem do "seu" bolso, por que ele não faz isso com o funcionalismo público do estado de São Paulo?
Pior. Encaminhou um projeto à Assembleia Legislativa paulista para aumentar o piso salarial dos servidores, mas "se esquece" de cumprir a Constituição Federal que, já cansamos de repetir, aponta para a reposição salarial "na mesma data e sem distinção de índices". O governador também dá de ombros para o cumprimento da data-base dos servidores e mesmo dizendo "ser sensível às demandas do Judiciário", como fez recentemente na cerimônia do "Ano Judiciário", o nosso Plano de Cargos e Carreiras completará, em breve, um quinquênio na Alesp.
A atuação de Serra, como a de seus antecessores, foi desastrosa, mas faz-nos lembrar uma antiga propaganda de um jornal tradicional de São Paulo. O governador, provável candidato à presidência da República, tem "cara de conteúdo". Pouco entende do nada, faz discursos retóricos e nada resolve.
O pior é constatar que, com sua saída, seu substituto que virá das urnas, seja do PSDB ou de outros partidos, pouco resolverá. A verdade é que, há muito, o maior estado do país está pessimamente mal representado e sem novas lideranças que possam trazer o choque de gestão no Serviço Público tão falado e bem longe de ser implementado.
EDITORIAL ORIGINALMENTE PUBLICADO NO JORNAL ASSETJ NOTÍCIAS Nº 128 (FEVEREIRO/2009)