Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro desta quinta-feira (28), o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, falou sobre a concessão de bolsas de estudo no programa Ciências Sem Fronteiras.
O programa Ciência sem Fronteira busca dar condições para que o Brasil participe nas principais universidades do mundo, para que a gente acelere a condição de termos universidades de classe mundial, porque a produção científica é internacional. Na medicina, cada descoberta serve para melhorar a vida de pacientes em qualquer lugar do mundo. Na matemática, a mesma coisa; na física, na química, na biologia. Na área de ciências humanas é menos, porque as especificidades são nacionais. Então, quanto mais a gente articula redes de pesquisa e o Brasil participa de forma mais ativa, melhor a resposta que nós podemos ter ao desenvolvimento da ciência e ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. Tínhamos em torno de 5.300 bolsas para o exterior e, agora, vamos para 75 mil bolsas nos próximos três anos e meio.
Escolha de bolsistas
As 50 melhores universidades nas áreas das ciências básicas, que são matemática, química, física, biologia, nas áreas das engenharias e nas áreas tecnológicas, serão o destino dos nossos alunos. E quem são os alunos que podem ter acesso a esse programa? Os que tiveram nota acima de 600 pontos no Enem. Portanto, temos aí em torno de 53 mil alunos, no último Enem, que estão em condições, são alunos do Prouni, e mais 71 mil alunos que também tiveram mais de 600 pontos no Sisu. Além disso, os alunos que foram medalhistas nas olimpíadas da matemática, das ciências, também terão acesso direto ao programa.
Bolsa Brasil
Pretendemos também atrair para o Brasil, especialmente brasileiros, mas não só. Queremos que eles venham pesquisar no Brasil num programa de três anos para que eles se insiram no País e depois permaneçam. Serão 860 bolsas para jovens talentos para virem do exterior e 390 para pesquisadores, visitantes especiais, que são grandes lideranças intelectuais. É uma forma do Brasil se colocar no que tem de melhor na ciência internacional e é assim que a gente produz conhecimento, em parceria, e o Brasil disputando seu lugar. Já somos a sétima economia do mundo e precisamos avançar na produção científica e na inovação.
Motivação
O programa também vai motivar os jovens a estudarem cada vez mais. Eles saberão que pelo Enem eles podem entrar na universidade pública, eles podem ter acesso ao Prouni, entrar numa boa universidade particular, mas mais do que isso: os alunos se motivarão a fazer seu estágio no exterior ou fazer o seu curso de doutorado pleno no exterior, e isto é uma grande motivação profissional.
Expansão universitária
Ao longo dos últimos 10 anos, o Brasil passou de 43 campis universitários públicos para 230. Isso é um avanço, especialmente para as regiões menos desenvolvidas. O Nordeste tinha apenas 1,4% do sistema de pós-graduação do Brasil. Hoje tem 10%. Na região Norte, só tínhamos 19 cursos de doutorado, formávamos 340 doutores por ano. Hoje, temos 40 cursos e formamos 1.430 doutores. Ao mesmo tempo, a rede de universidades federais ampliou os cursos de graduação de 320 mil alunos concluintes, em 2002, para um milhão hoje. Triplicamos o volume de acesso ao ensino superior em apenas nove anos.
Tablets
O Brasil é o sétimo mercado mundial em tecnologia da informação (TI), o quarto em venda de computadores e o quinto em televisores. Com esse mercado interno forte, queremos atrair investimentos e agregar valor na cadeia produtiva. O caso dos tablets foi um primeiro movimento. O incentivo é grande: uma redução de 31% dos impostos federais para a fábrica que, no primeiro ano, produzir 20% dos componentes no Brasil, e ampliar para 80%, em três anos. Com isso, pretendemos trazer uma indústria de semicondutores, que só 20 países têm, e uma indústria de tela de toque, que está tendo uma grande aceitação mundial e só quatro países na Ásia tem.
Inovação na indústria
O fundo setorial do petróleo dirige 2% do valor da produção do setor para pesquisa. Por isso chegamos ao pré-sal. Temos que repetir isso na mineração, na construção civil, na indústria automobilística. O Brasil é o quinto país que mais produz e consome automóveis no mundo, mas não temos uma marca brasileira e só duas empresas têm pistas de testes. Os incentivos na indústria automotiva têm que estar vinculados ao conteúdo local e à pesquisa.
O programa é transmitido ao vivo pela TV NBR e pode ser acompanhado na página da Secretaria de Imprensa da Presidência da República (www.imprensa.planalto.gov.br)