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Adiamento de cirurgias prolonga a estadia de pacientes no CHS

Em casos apurados pelo Cruzeiro do Sul, a espera chegou a ser de quase dois meses
Terça-feira, 26 de Junho de 2012
fonte:  Jornal Cruzeiro do Sul

Parte dos pacientes que precisam ser submetidos a cirurgia de fêmur (osso da coxa) no Hospital Regional do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) passa semanas internada por causa de adiamentos das cirurgias. Há casos relatados em que a espera chegou a quase dois meses. O problema ocorre ao menos há quatro anos, período em que o Cruzeiro do Sul publicou várias matérias de familiares que fizeram a mesma denúncia. Durante as internações eles permanecem impedidos de levantarem-se, sempre com a barriga para cima, sem sequer poder ir ao banheiro e com a perna imobilizada por meio de um peso no pé. Alguns reclamam que sentem dores, apesar dos analgésicos. Nas datas agendadas para os procedimentos eles permanecem em jejum, muitas vezes até o final da tarde, quando são comunicados do adiamento. Às vítimas, conforme matérias publicadas nos últimos anos, as equipes do hospital atribuem o adiamento à falta de médico ou de material. Para a reportagem, a versão da direção do CHS, enviada via assessoria de imprensa, foi que, "por ser um hospital referência em cirurgias de urgência e emergência, os procedimentos podem ser prorrogados diante de casos mais graves ou quando há risco de morte iminente do outro paciente". Deixou de explicar por que não consegue atender a demanda e quanto gasta para manter internado o paciente que aguarda pela cirurgia.

A vítima mais recente foi o idoso Francisco Batista dos Reis, um pedreiro aposentado com 86 anos de idade que aguardou um mês e 25 dias pela cirurgia, a qual só foi submetido na tarde da quinta-feira, após questionamentos do jornal Cruzeiro do Sul à Secretaria de Estado da Saúde. No dia 6 de junho, véspera do Feriado de Corpus Christi, Marcos Aurélio Pereira Camargo, de 28 anos, também precisou esperar 25 dias deitado no setor de Ortopedia do CHS para passar pelo procedimento no mês de maio. Durante o tempo de espera, a exemplo do idoso Francisco, foi informado várias vezes do adiamento da cirurgia, até a data em que o caso começou a ser apurado pelo Cruzeiro do Sul, quando finalmente foi operado. Um jovem de 25 anos de idade, cuja família pediu que seu nome não fosse divulgado também enfrentou o leito do CHS por 28 dias, tempo que esperou para passar pelo procedimento na terceira data agendada; após dois adiamentos. Todas as vezes que qualquer paciente tem essa cirurgia marcada ele passa o dia em jejum até passar pelo procedimento ou, no final da tarde, ser informado que a operação foi adiada.

Em junho de 2011, Marcos Aurélio Pereira Camargo, 20 anos, ficou três semanas esperando pela cirurgia. Ele teve a cirurgia marcada e desmarcada por duas vezes, antes de realizar o procedimento. Em agosto de 2011, o jornal noticiou o caso do aposentado Roberto da Glória dos Santos, 58, que esperou por dois dias por uma cirurgia, que a princípio seria de amputação de parte do pé direito. Porém, por conta da demora, o pé dele necrosou e ele perdeu parte da perna também. A amputação foi feita a cerca de um palmo do joelho. Quando chegou ao Hospital, a cirurgia foi marcada para a manhã do outro dia, porém foi desmarcada.

Os casos

O sofrimento de Francisco é relembrado por sua esposa, Luzia Leonel dos Reis, 73 anos. Diz que ele não tinha qualquer outro problema além da fratura no fêmur provocado por um atropelamento na avenida Itavuvu quando deu entrada no CHS. Mas, devido à impossibilidade de levantar, permaneceu 40 dias com sonda para coletar a urina, o que resultou em infecção urinária, febre e crises nervosas, já que não suportava mais permanecer internado. A alegação da equipe médica para os adiamentos da cirurgia era a entrada na instituição de pacientes em situação de emergência, que mais necessitavam do procedimento. Já o filho do paciente, Devanir Leonel dos Reis, soube por médicos que a falta de cirurgiões, insatisfeitos com seus salários, também teria relação com os episódios. Segundo a direção do CHS, Francisco passou por cirurgia de urgência no dia 28 de abril, para correção de uma fratura no fêmur. Uma nova intervenção, desta vez eletiva (sem urgência) foi marcada para junho.

O outro paciente, Marcos Camargo foi comunicado da suspensão da sua cirurgia por três vezes, entre 12 de maio e 6 de junho. Enquanto isso, a família temia que ele contraísse infeção hospitalar, pois tinha na perna uma ferida aberta e com secreções. Segundo familiares, as versões do hospital para os cancelamentos foram a entrada de casos de emergência, insuficiência de médicos e a falta de anestesia. Na ocasião, o CHS reconheceu dois cancelamentos, argumentando que foram motivados por cirurgias de emergência, cujo pacientes corriam risco de morte.

No caso de Marco Antônio Pedroso, 20 anos, que ficou três semanas à espera de cirurgia, que chegou a ser desmarcada por duas vezes, a direção do CHS culpou a alta demanda desse tipo de cirurgia e usou o argumento de que Pedroso não corria risco de morte. Sobre o caso do aposentado Roberto da Glória dos Santos, que sofre de diabetes e que teria que amputar apenas parte do pé direito, em agosto de 2011 e, por conta da demora, perdeu parte da perna, sendo a amputação feita a um palmo do joelho, o CHS informou que o paciente se negava à operação e a família foi chamada para intermediar o caso, mas nada respondeu sobre o motivo da cirurgia ter sido desmarcada.

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