Brasília foi palco da 4ª Conferência Anual da Rede Global de Crianças Desaparecidas (GMCN), e da reunião da Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidos (RedeSap). O evento é uma realização da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), do Centro Internacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (Icmec) e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR).
O evento reuniu países dos quatro continentes para discutir a questão das crianças desaparecidas e raptadas. O objetivo é estimular uma resposta completa e efetiva por meio do compartilhamento de informação e da criação de parcerias com foco nas tendências, pesquisas e iniciativas específicas de cada país, além de boas práticas no âmbito global na procura de crianças e adolescentes desaparecidos e raptados.
Na conferência, foi noticiada a volta do Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas (CNCD), criado em 2010 com o objetivo de tornar a busca mais rápida. Entretanto, o sistema era falho e, por isso, saiu do ar. Segundo Luiz Clóvis Guido, representante da SDH/PR, o governo federal, em conjunto com diversos órgãos, relançará o CNCD. O cadastro, agora, será uma ferramenta tecnológica e visa melhorar o fluxo das informações e facilitar o acesso de todos os membros da sociedade civil, que antes não possuíam acesso para realizar cadastros na rede. A estimativa é de que o cadastro seja relançado no final de fevereiro.
Cristina Villa Nova, diretora do Departamento de Políticas, Programas e Projetos do Ministério da Justiça explicou que o cadastro nacional não englobava a sociedade civil e isso acabava tornando-o falho, pois, quando alguém registrava uma queixa de desaparecimento de criança ou adolescente na delegacia, o policial não conseguia registrar os dados e características do desaparecido na rede. A diretora informou que o governo pretende ampliar o número de políticas públicas voltadas para o desaparecimento e rapto de crianças e adolescentes. Aumentar o número de cursos de envelhecimento de face para policiais e ampliar o número de divulgação, principalmente em rodoviárias e aeroportos são algumas pretensões.
Situação no Distrito Federal
Daniel Seidel, secretário de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, disse que, em maio do ano passado, a Sedest assinou um protocolo de acompanhamento com a Secretaria de Segurança Pública com o objetivo de acompanhar melhor e tornar a busca de crianças e adolescentes desaparecidos mais eficiente. Seidel ressaltou que, antes do protocolo, não havia uma integração entre a sociedade civil e a Sedest e isso atrapalhava uma busca imediata.
Segundo o secretário, de janeiro a dezembro de 2011 foram registradas 854 notificações de desaparecimentos de crianças e adolescentes em todo o DF, sendo que 80% desse quantitativo foram encontrados e 20% continuam desaparecidos. Seidel informou que, na maioria dos casos, as crianças fogem de casa por não possuírem uma família estruturada. "Temos o objetivo de diminuir o número de desaparecidos, fortalecer as buscas e reduzir o número de casos."