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Parentes pedem cadastro estadual de desaparecidos

Sexta-feira, 29 de Junho de 2012
fonte:  Metrô News - Juliana Aguiar Carneiro
João Machado
Francisca procura o filho há 5 anos; esta é 2ª reportagem da série DESAPARECIDOS
Francisca procura o filho há 5 anos; esta é 2ª reportagem da série DESAPARECIDOS
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Francisca procura o filho há 5 anos; esta é 2ª reportagem da série DESAPARECIDOS
Francisca procura o filho há 5 anos; esta é 2ª reportagem da série DESAPARECIDOS

O governador Geraldo Alckmin vetou no início do mês projeto de lei que criaria o cadastro estadual com características físicas e dados genéticos de pessoas desaparecidas. A ação do governador tem sido alvo de crítica de amigos e familiares de desaparecidos, que apontam negligência e descaso do Estado.

A doméstica Maria Lopes da Cunha, 57 anos, procura sua irmã há dez anos. Portadora de um desvio comportamental, ela saiu de sua casa no bairro Cabuçu, em Guarulhos, em maio de 2002. Moradores da região afirmam que ela foi vista pegando ônibus para a rodoviária Tietê.

"Desde então ela nunca mais foi vista. Isso já tem dez anos. Será que ela nunca foi a um hospital? Passou por uma delegacia? Será que não está internada em uma clínica psiquiátrica? Nós nunca não saberemos por que não existe um cadastro unificado. Estava confiante com o projeto do cadastro. Agora volto a procurá-la sozinha", disse ela.

O deputado estadual Hamilton Pereira (PT), criador do projeto, afirmou que o veto do governador é uma amostra do descaso existente com os familiares dos desaparecidos. De acordo com ele, não há nenhum tipo de política pública para essas famílias, que acabam buscando apoio em Organizações Não Governamentais (ONGs).

"De 2008 a 2011 desapareceram mais de 13 mil pessoas em São Paulo. O problema aumenta e os familiares não veem solução. Não existe um interesse para ajudar essas famílias. O governo se ausenta", disse ele.

Cadastro nacional barrou o projeto

Questionado pela reportagem do Metrô News, o Governo do Estado informou que a justificativa para o veto está no próprio veto. Para barrar o projeto, Geraldo Alckmin afirmou que já existe um Cadastro Nacional de Desaparecidos, e que esse sistema já cumpre o papel.

Mas, o deputado Hamilton Pereira, autor do projeto, afirmou que o cadastro nacional não é abastecido, e está sempre desatualizado. "Conversamos com delegados antes de criar o projeto e soubemos que o cadastro nacional não é abastecido e algumas autoridades nem sequer têm senha do sistema. Não funciona."

A dona de casa Francisca Ribeiro Santos, 47 anos, procura seu filho há 5 anos, o jovem Hugo Ribeiro Santos Camargo, hoje com 15 anos. Segundo com ela, a ausência de um sistema integrado faz com que ela visite constantemente hospitais, escolas e necrotérios. "Meu filho desapareceu na porta de casa. Se foi sequestrado, deve estar matriculado em alguma escola. O cadastro ajudaria. Facilitaria na identificação de mortos. Hoje são enterrados como indigentes", disse ela.

A dona de casa narra casos de mães que encontraram filhos enterrados como indigentes. "Conheci uma mãe que procurou o filho por 5 anos. Depois disso, ela fez reconhecimento por foto de um jovem morto 15 dias após o desaparecimento. Era ele: ela ficou sofrendo todo esses anos", disse Francisca.

Investigação fica a cargo DHPP

O governador Geraldo Alckmin também justificou o veto do projeto afirmando que existe uma polícia específica na busca de pessoas desaparecidas, no caso a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.

"O departamento de polícia existe, mas é 100% ineficiente: o DHPP não encontra ninguém. Basta ouvir o depoimento dos familiares e constatar o completo descaso que as famílias são tratadas nas delegacias", disse o deputado estadual Hamilton Pereira (PT).

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